
O Oscar que eu não vi
Pela primeira vez, desde que me entendo por gente, não pude assistir a entrega anual dos prêmios da academia, estava voltando das gravações de um documentário no interior do amazonas e por questões de horários de vôos, vi a entrega de dois prêmios somentes. Apesar de ser a noite dos cinéfilos, noite do cinema e tudo mais, pela primeira vez também não senti falta dos prêmios. Acho que a Academia já vem dando sinais de estar completamente fora de sintonia com o que acontece no resto do mundo, ou até mesmo dentro dos limites dos Estados Unidos.
Premiar “O Discurso do Rei”, um filme nada mais do que competente, mas sem 1 centímetro de ousadia, repetindo as fórmulas de bom roteiro, atores ingleses e produção da Miramax. È o filme certo para ganhar o Oscar, mas será que o público ou o cinema está precisando do reforço do prêmio?
A premiação criada em 1927 para dar um verniz mais artístico ao cinema e aos seus produtores, a maioria composta por imigrantes judeus e na busca de reconhecimento artístico e social, nunca pautou suas escolhas pelos melhores critérios. Existem várias injustiças como Cidade Kane, Hitchcock, entre outras, mas durante muito tempo deu um norte para os mundo do cinema. Os Oscar já apontaram o cinema independente com Sexo Mentiras e Videotapes e Tarantino, e chegaram a premiar filmes excelentes de Eastwood (Menina de Ouro) e até “Onde os Fracos Não Tem Vez”, dos irmãos Coen. Mas nos últimos anos tem sido só ladeira abaixo.
Numa época onde se premiam filmes com atores não profissionais como os filmes do Apichatpong Weerasethakul, do Pedro Costa, filmes feito em associações, eles insistem em fórmulas desgastadas. Fica um pouco a pergunta, para que serve o Oscar? Talvez o próprio cinema americano ainda procure as pistas do que está perdendo para a televisão, para o videogame e para a internet. È óbvio que somos audiviosualdependentes mas precisamos de algo mais.
Os acadêmicos viram que do jeito que está não pode continuar, mas não sabem como atualizar a cerimônia. Eu queria muito que voltassem os grandes clipes, as canções, as grandes homenagens e, é claro, bons filmes.
I´m back
Depois de mais um ano com o blog parado, senti vontade de voltar a escrever e dar dicas de cinema. Escrever textos longos de crítica exige tempo e dedicação que, no momento, não tenho. No entanto, senti vontade de fazer textos menores e com mais dicas para amigos e interessados na programação de cinema e dvd da cidade. É também importante porque eu volto a ler todos os críticos e sites de cinema que acho importante.
Com o projeto do Matinta caminhando para a finalização será um bom momento para voltar a pensar em cinema e não somente fazer. Embora as duas coisas sejam um grande prazer para mim.
Escrever, reescrever e reescrever
Um famoso roteirista americano, a qual não lembro o nome, ao ser perguntado qual a mais valiosa dica de roteiro que poderia dar: escrever, reescrever e reescrever.
Falo isso agora porque nesse momento, chegamos a uma versão de roteiro bem próxima do ideal em MATINTA, depois de muitas discussões e versões e mais versões.
Como MATINTA tem uma pegada forte de suspense, não vou colocar no blog o roteiro na íntegra, mas contarei sobre como essa história saiu de lembranças familiares para a tela do cinema.
Tudo começou com uma história que me mãe me contava sobre um “causo” de matinta perera no interior de Bragança, onde ela nasceu. Meu bisavô teria uma amante, que segundo a população local virava Matinta. Um dia a primeira mulher desse meu bisavô pisou em uma folha e sentiu uma picada. A folha não continha nenhum espinho. Desse ferimento, ela adoeceu e morreu. O povo atribui tudo ao feitiço da Matinta. No velório, mulheres colocaram duas agulhas em forma de cruz atrás da cabeça dela e quando o pássaro da matinta foi assombrar a morta, ele saiu ferido.
Dias depois, segundo essa história, a tal Matinta também teria morrido.
A partir dessa história eu crie um primeiro tratamento, com uma estrutura que acho permanece ainda hoje bem forte. O Adriano Barroso trouxe novos elementos interessantes e juntos fizemos a 1a versão do roteiro. E desde então temos trabalho para tornar a história ainda mais interessante.
No blog da ACCPA
Voltei né, espero que dessa vez seja mesmo mais produtivo e assíduo. Estou também postando no blog da ACCPA (associação dos críticos de cinema do Pará), visitem lá também.
À procura de um país e de um novo cinema
Quando questionado sobre o motivo de abandonar filmes de tom político e nacional, além dos documentários, Krzystof Kieslowki disse: todo mundo tem dor de garganta, eu quero filmar a dor de garganta do mundo. O diretor polonês afirmava então que o processo político e documental de registrar a realidade podia muitas vezes ser mais forte pelo percurso da ficção.
Walter Salles também dirigiu inúmeros documentários. Levou esse projeto de entender cidades e países para seu cinema de ficção. Em seus filmes mais importantes como “Central do Brasil”, “Terra Estrangeira” e “Diários de Motocicletas”, o dispositivo documentário-ficção estava presente através dos elementos do road movie, do acaso como mecanismo dramático, da câmera na mão, dos atores não-conhecidos.
Em “Linha de Passe”, Salles (de novo na parceria com Daniela Thomas), dá um passe à frente nesse seu modelo de cinema. O uso do estilo documental não parece mais simplesmente um artifício, mas uma necessidade diante de uma nova dramaturgia, de um novo modelo narrativo, tão contemporâneo. Walter vai, à sua maneira, buscar o que melhor o cinema tem feito. Se não se aproxima do estilo de uma Lucrecia Martel ou de outros do cinema europeu ou asiático, ele se arrisca a propor um filme sem tantas amarras do cinema clássico, sem clímax, sem soluções forçadas.
É claro que ele se alicerça com o sabe melhor. Filma uma São Paulo sempre enquadrada pela arquitetura do concreto (prédios) ou da falta dele (favela). Seus personagens estão sempre em movimento, em busca de sonhos, sejam de moto, de ônibus, ou simplesmente correndo pelo campo de futebol.
E essa busca, caracterizada pela figura paterna, para muitos a figura da pátria, também registra um novo Brasil que surgiu nos últimos anos, em que muitos acessam um novo nível de consumo, mas que não é a solução para todos os problemas (provavelmente até crie outros). Salles e Daniela Thomas arriscam registrar um país em transição, ainda sem saber onde vai chegar.
É muito curioso que neste ano em Belém tenha sido exibido também “Santiago” (o filme é de 2007), do irmão de Walter, João Moreira Salles, que questiona o formato do documentário. Ainda bem que os sócios da Videofilmes continuam à procura de um novo cinema.
O bom início de ano do cinema em Belém

Além de “Medos Privados em Lugares Públicos”, “Jogo de Cena”, as reprises de “Gritos e Sussuros” e “Profissão Repórter”, estão programados “Planet Terror” e “Noel, Poeta da Vila”, e ainda estamos em fevereiro.
Apesar de 2007 ter sido um ano muito fraco na programação de cinema em Belém, 2008 pode ser o ano da virada. Vamos torçer.
A (não) história de David Lynch
Em inglês, os cineastas são conhecidos como storytellers, contadores de histórias. A busca pela aproximação do cinema com outras formas narrativas, principalmente o romance, concide com a conquista do espaço do cinema, ainda no início do século passado, do grande público, tornando-se uma máquina da indústria de entretenimento.
O diretor americano David Lynch sempre usou e abusou de figuras bizarras em seus filmes e de fios narrativos multiplos. No entanto, nada do realizado antes por Lynch pode nos preparar para a experiência de ver “Inland Empire”, ou canestramente traduzido por Império dos Sonhos. Com apenas um fio de história ou usando algumas situações, climas e situações pra lá de absurdas, ele nos brinda com um dos mais instigantes, revolucionários, maravilhosos filmes – uma abertura para o filme do próximo milênio. Com o esgotamento de todas as formas narrativas, só nos resta não contar exatamente uma história, ou nos preocupar em contar apenas uma história.
Tefé, Am
Desde julho estou envolvido em um projeto novo e totalmente desafiador para mim. O título provisório é TEFÉ, AM, um documentário sobre a cidade de Tefé, Amazonas e a região próxima dela, mas especificamente na vida de alguns jovens desse local. O documentário está sendo feito a convite do Instituto Mamirauá para onde já desenvolvi alguns projetos. Desde 2002, visito regularmente este local, uma reserva de desenvolvimento sustentável no estado do Amazonas. Mamirauá, sempre foi um lugar especial para mim, que valia muito a pena visitar mais uma vez, rever suas florestas, seus rios, e seu povo, tão hospitaleiro e gentil, distribuídos nas pequenas comunidades das reservas reservas.
Videoclipes em competição
A mostra Curta Pará que sempre se caracteriza pela acurada escolha dos filmes. Exibiu aqui “Cinema, Aspirinas e Urubus”, antes de muitos cinemas do Brasil, entre outras obras importantes do cinema brasileiro recente. Mas a mostra também tem um dia dedicado à produção local, no caso, a de videoclipes. As inscrições para este prêmio já começaram. Segue nota abaixo, enviada pela produção do festival:
A Mostra Curta Pará Cine Brasil, que acontece de 10 a 21 de outubro, abre as inscrições para o 3º Prêmio Na Figueredo de videoclipes paraenses. Regulamento e informações através do site www.centralcinevideo.com ou através do email contato@centralcinevideo.com. A ficha de inscrição também pode ser retirada na sede da Central de Produção – Cinema e Vídeo na Amazônia - Tv. Três de Maio, nº. 695 – sala 205, Ed. Tropical Center, esquina com a Av. Magalhães Barata. Das 08h30 às 12h30 e 14h às 18h.. De 17 à 28 de setembro.
