Escrever, reescrever e reescrever

abril 14, 2009 por Fernando Segtowick

Um famoso roteirista americano, a qual não lembro o nome, ao ser perguntado qual a mais valiosa dica de roteiro que poderia dar: escrever, reescrever e reescrever.

Falo isso agora porque nesse momento, chegamos a uma versão de roteiro bem próxima do ideal em MATINTA, depois de muitas discussões e versões e mais versões.

Como MATINTA tem uma pegada forte de suspense, não vou colocar no blog o roteiro na íntegra, mas contarei sobre como essa história saiu de lembranças familiares para a tela do cinema.

Tudo começou com uma história que me mãe me contava sobre um “causo” de matinta perera no interior de Bragança, onde ela nasceu. Meu bisavô teria uma amante, que segundo a população local virava Matinta. Um dia a primeira mulher desse meu bisavô pisou em uma folha e sentiu uma picada. A folha não continha nenhum espinho. Desse ferimento, ela adoeceu e morreu. O povo atribui tudo ao feitiço da Matinta. No velório, mulheres colocaram duas agulhas em forma de cruz atrás da cabeça dela e quando o pássaro da matinta foi assombrar a morta, ele saiu ferido.

Dias depois, segundo essa história, a tal Matinta também teria morrido.

A partir dessa história eu crie um primeiro tratamento, com uma estrutura que acho permanece ainda hoje bem forte. O Adriano Barroso trouxe novos elementos interessantes e juntos fizemos a 1a versão do roteiro. E desde então temos trabalho para tornar a história ainda mais interessante.

No blog da ACCPA

outubro 27, 2008 por Fernando Segtowick

Voltei né, espero que dessa vez seja mesmo mais produtivo e assíduo. Estou também postando no blog da ACCPA (associação dos críticos de cinema do Pará), visitem lá também.

 http://accpara.blogspot.com/

À procura de um país e de um novo cinema

outubro 27, 2008 por Fernando Segtowick

Quando questionado sobre o motivo de abandonar filmes de tom político e nacional, além dos documentários, Krzystof Kieslowki disse: todo mundo tem dor de garganta, eu quero filmar a dor de garganta do mundo. O diretor polonês afirmava então que o processo político e documental de registrar a realidade podia muitas vezes ser mais forte pelo percurso da ficção.

Walter Salles também dirigiu inúmeros documentários. Levou esse projeto de entender cidades e países para seu cinema de ficção. Em seus filmes mais importantes como “Central do Brasil”, “Terra Estrangeira” e “Diários de Motocicletas”, o dispositivo documentário-ficção estava presente através dos elementos do road movie, do acaso como mecanismo dramático, da câmera na mão, dos atores não-conhecidos.

Em “Linha de Passe”, Salles (de novo na parceria com Daniela Thomas), dá um passe à frente nesse seu modelo de cinema. O uso do estilo documental não parece mais simplesmente um artifício, mas uma necessidade diante de uma nova dramaturgia, de um novo modelo narrativo, tão contemporâneo. Walter vai, à sua maneira, buscar o que melhor o cinema tem feito. Se não se aproxima do estilo de uma Lucrecia Martel ou de outros do cinema europeu ou asiático, ele se arrisca a propor um filme sem tantas amarras do cinema clássico, sem clímax, sem soluções forçadas.

É claro que ele se alicerça com o sabe melhor. Filma uma São Paulo sempre enquadrada pela arquitetura do concreto (prédios) ou da falta dele (favela). Seus personagens estão sempre em movimento, em busca de sonhos, sejam de moto, de ônibus, ou simplesmente correndo pelo campo de futebol.

E essa busca, caracterizada pela figura paterna, para muitos a figura da pátria, também registra um novo Brasil que surgiu nos últimos anos, em que muitos acessam um novo nível de consumo, mas que não é a solução para todos os problemas (provavelmente até crie outros). Salles e Daniela Thomas arriscam registrar um país em transição, ainda sem saber onde vai chegar.

É muito curioso que neste ano em Belém tenha sido exibido também “Santiago” (o filme é de 2007), do irmão de Walter, João Moreira Salles, que questiona o formato do documentário. Ainda bem que os sócios da Videofilmes continuam à procura de um novo cinema.

O bom início de ano do cinema em Belém

fevereiro 5, 2008 por Fernando Segtowick


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Além de “Medos Privados em Lugares Públicos”, “Jogo de Cena”, as reprises de “Gritos e Sussuros” e “Profissão Repórter”, estão programados “Planet Terror” e “Noel, Poeta da Vila”, e ainda estamos em fevereiro.

Apesar de 2007 ter sido um ano muito fraco na programação de cinema em Belém, 2008 pode ser o ano da virada. Vamos torçer.

A (não) história de David Lynch

janeiro 18, 2008 por Fernando Segtowick

Em inglês, os cineastas são conhecidos como storytellers, contadores de histórias. A busca pela aproximação do cinema com outras formas narrativas, principalmente o romance, concide com a conquista do espaço do cinema, ainda no início do século passado, do grande público, tornando-se uma máquina da indústria de entretenimento.

O diretor americano David Lynch sempre usou e abusou de figuras bizarras em seus filmes e de fios narrativos multiplos. No entanto, nada do realizado antes por Lynch pode nos preparar para a experiência de ver “Inland Empire”, ou canestramente traduzido por Império dos Sonhos. Com apenas um fio de história ou usando algumas situações, climas e situações pra lá de absurdas, ele nos brinda com um dos mais instigantes, revolucionários, maravilhosos filmes – uma abertura para o filme do próximo milênio. Com o esgotamento de todas as formas narrativas, só nos resta não contar exatamente uma história, ou nos preocupar em contar apenas uma história.

Tefé, Am

outubro 8, 2007 por Fernando Segtowick

Desde julho estou envolvido em um projeto novo e totalmente desafiador para mim. O título provisório é TEFÉ, AM, um documentário sobre a cidade de Tefé, Amazonas e a região próxima dela, mas especificamente na vida de alguns jovens desse local. O documentário está sendo feito a convite do Instituto Mamirauá para onde já desenvolvi alguns projetos. Desde 2002, visito regularmente este local, uma reserva de desenvolvimento sustentável no estado do Amazonas. Mamirauá, sempre foi um lugar especial para mim, que valia muito a pena visitar mais uma vez, rever suas florestas, seus rios, e seu povo, tão hospitaleiro e gentil, distribuídos nas pequenas comunidades das reservas reservas.

Videoclipes em competição

setembro 21, 2007 por Fernando Segtowick

A mostra Curta Pará que sempre se caracteriza pela acurada escolha dos filmes. Exibiu aqui “Cinema, Aspirinas e Urubus”, antes de muitos cinemas do Brasil, entre outras obras importantes do cinema brasileiro recente. Mas a mostra também tem um dia dedicado à produção local, no caso, a de videoclipes. As inscrições para este prêmio já começaram. Segue nota abaixo, enviada pela produção do festival:

 A Mostra Curta Pará Cine Brasil, que acontece de 10 a 21 de outubro,  abre as inscrições para o 3º Prêmio Na Figueredo de videoclipes paraenses. Regulamento e informações através do site   www.centralcinevideo.com ou  através do email contato@centralcinevideo.com. A  ficha de inscrição também pode ser retirada na sede da Central de Produção – Cinema e Vídeo na Amazônia  - Tv. Três de Maio, nº. 695 – sala 205, Ed. Tropical Center, esquina com a Av. Magalhães Barata. Das 08h30 às 12h30 e 14h às 18h.. De 17 à 28 de setembro.

De volta ao planeta dos macacos

setembro 21, 2007 por Fernando Segtowick

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Graças aos meus alunos de Novas Tecnologias, voltei me a deparar com esta maravilha que é o blog. Vi nas estatísticas que meus poucos leitores ainda me visitavam. Por eles, resolvi voltar. Estou de novo nas redes do mundo virtual, que bom.

Para pensar

junho 25, 2007 por Fernando Segtowick

No momento em que o cinema paraense vive mais um dilema (leiam no pó-de-vídeo), é bom pensar no que diz o crítico Inácio Araújo em seu blog, O canto do Inácio:

 NOSSO CINEMA “INDUSTRIAL”
INÁCIO ARAUJO

Por que insistimos tanto em nossa “indústria de cinema”?

Alguma vez a nossa “indústria” deu certo?

Deu certo a Cinédia, deu certo a Vera Cruz?

Por que daria agora, quando a concorrência com Hollywood é a mais pesada, mais brutal que jamais se viu?

Então, para que manter a ilusão de que precisamos fazer “filmes comerciais”, ao alcance de todos?

“Todos” simplesmente não vão ver os filmes. Não importam os motivos.

Ao mesmo tempo, se ficarmos no interesse apenas estético dos filmes eu diria que ele é pequeno. É um cinema velho, de 1930 ou 40, cuja maior aspiração parece ser dizer ao público: “olha, nós também sabemos fazer”.

Então, enterramos 4, 5, 6 milhões em filmes de muito pouco sentido, estagnantes. Teria algum sentido se as pessoas corressem à frente da bilheteria e dissessem “é isso que a gente quer ver”.

Mas elas simplesmente não correm. Experimente ficar um dia perto da bilheteria de um multiplex em dia de domingo para ver como as pessoas se comportam.

Então o que fazer? Reforçar a indústria? Pode fazer. Eu digo apenas: não vai dar certo, vamos fazer um cinema encarquilhado.

A única chance é que exista uma verdadeira política de produção (em lugar da renúncia fiscal, que é um eufemismo para renúncia do Estado a sua obrigação de produzir políticas de produção, distribuição e exibição de filmes) um dia.

E que o filme seja visto pelo seu interesse artístico, cultural ou até político (no sentido de política cultural). E que se pare com essa bobagem de ficar correndo atrás de um público que foge dos filmes.

O público vai ver o que o faz o Daniel Filho. Então que a Globo produza os filmes dele e sejam todos muito felizes.

A gente precisa de um artesanato da originalidade, da necessidade absoluta de mostrar alguma coisa.

O filme do Cláudio Assis é isso, o do Tonacci também. Há outros, o Carlão, o Beto Brant, o Mojica, o Ivan Cardoso, o Bressane. Caramba, não nos falta talento. Falta uma política para colocá-lo em relevo, para desenvolvê-lo.

Não sei se isso vai dar certo. Agora, essa coisa de indústria, pode esquecer: não vai para parte alguma.

Um guia para o cinema coreano

maio 23, 2007 por Fernando Segtowick

Vale clicar no link e ir para o blog Ilustrada no Cinema e saber mais sobre o cinema de um país de onde as novidades não param de chegar e já chamou a atenção até de Hollywood. A Córeia do Sul, com diretores pouco conhecidos ainda dos brasileiros, vem sendo considerada a nova meca dos cinéfilos. Nos artigos de Cássio Starling Carlos, um verdadeiro guia sobre os diretores e seus filmes. Imperdível.